Click.
Camara lenta. 1000 fotogramas de alegria condensada por segundo. Alta indefinição, ultrapassada pela resolução incomensurável da imaginação. A antecipação, a procura incessante pelo momento, pela precisão exigida para a captura do momento singular que marcará para sempre os nossos corações.
Click. Alma enclausurada em ficheiro jpeg. Sem filtros, a imagem nua, captada na sua singularidade, naquele momento irrepetível, único e ao mesmo tempo igual a tantos outros.
Onde estás no enquadramento? Onde te pões, para que todos te possam ver? Chega-te à frente, impõe-te, sorri, abre os braços, como se abrisses as asas de sonhador equipado com drone, sobrevoando momentos presentes e passados, policromáticos de aventuras e carregados de nostalgia sépia.
Gasta o rolo, sem critério. Sê inconsequente com a tua objetiva. E revela sempre todo o teu conteúdo, pois no meio de tantos disparos e flashes, quem sabe se não descobres a tua silhueta metade?