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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

O mundo cai.

Vimos o mundo a cair, de soslaio, enquanto o olhávamos, em câmara lenta, nas profundezas. E não o conseguíamos evitar, não podíamos. Rachas, separações de betão e cimento, fundidos numa simbiose que se esperava para sempre. Nada é eterno, pelos vistos. E nada será tão apavorante como este momento de aparente acalmia no desespero. Estradas, vias, recantos, todos alterados, como se este inequívoco momento de pânico generalizado nos tivesse transformado. Ouvimos gritos revoltantes, de pura loucura, de perigo, de procura de entes queridos. Continuamos impávidos. Serenos. Em paz. A nossa realidade desaba à nossa frente, e nós, juntos, erguemo-nos e fundimo-nos, crinaod uma uralha onde mais ninguém entra, onde só nós iremos sobreviver.

Alguém.

Usa os pés, mas não anda. Deambula por aqui e por ali; entretanto não parece sair do mesmo sítio. Dedilha por nenúfares ocultos no fumo invisível, como que se pudesse calcorrear mundo e meio para que nada lhe pudesse escapar.

Lacrimeja e sorri. Aterroriza-se até um estado profundo de petrificação e regozija-se, numa acalmia que enerva o mais puro dos homens. Quer tanto ser tudo e nada, num cataclismo de equilíbrio.

Ordena. Perde. Militariza sentimentos. Humaniza as paredes da discórdia. Não faz sentido nunca, e ainda assim é a mais sã de todos nós.

Comove com trejeitos e rugas de deambulações de humor. Emociona de voltas e voltas nas centelhas da vida.

É composta de 50% sim, 50% não, e 100% viva!