O mundo cai.
Vimos o mundo a cair, de soslaio, enquanto o olhávamos, em câmara lenta, nas profundezas. E não o conseguíamos evitar, não podíamos. Rachas, separações de betão e cimento, fundidos numa simbiose que se esperava para sempre. Nada é eterno, pelos vistos. E nada será tão apavorante como este momento de aparente acalmia no desespero. Estradas, vias, recantos, todos alterados, como se este inequívoco momento de pânico generalizado nos tivesse transformado. Ouvimos gritos revoltantes, de pura loucura, de perigo, de procura de entes queridos. Continuamos impávidos. Serenos. Em paz. A nossa realidade desaba à nossa frente, e nós, juntos, erguemo-nos e fundimo-nos, crinaod uma uralha onde mais ninguém entra, onde só nós iremos sobreviver.