Assentos no amanhecer.

No bairro periferia o dia prepara-se. A Oliveirinha está já aberta, servindo os primeiros cafés que acordam almas, e os bagaços que servem de combustível para os degenerados alcoólicos. As paragens de autocarros ficam cheias de formiguinhas que fazem a cidade funcionar; são parte integrante das entranhas deste corpo cosmopolita em estado avançado de decomposição. Empregados de limpeza, assistentes operacionais de saúde, educação e funcionários camarários, todos prontos para a luta diária do ordenado mínimo. Aqui, eu e os meus aprendemos o que é a vida, as limitações que nos querem impor, e o gozo que dá quando as subvertemos. "Podes tirar a criança do bairro, mas não podes tirar o bairro da criança."