Rossio.

Numa volta da rotunda quase nada se vê. Demos então mais uma para que nada escape. Entramos ao ver a fonte, símbolo do centro da cidade, recuperada, que serve de ponto de abrigo aos transeuntes das quartas-feiras de mercados, ou aos "habitués", que veem ali a vida a passar, nunca saindo da rotunda rotina que os seus anos dourados lhe trouxeram. A volta dá mais uma volta, até os olhos ficarem em bico. Exemplo disso é o empreendimento oriental que já foi nosso, mas agora é deles. Não podemos parar numa rotunda, tal como não podemos parar o progresso, pois não? A meio do nosso carrossel rodoviário encontramos o imponente Plátano, árvore que se falasse cobriria quilómetros de linhas; é como se fosse um avô que sempre ali esteve, que tomou conta de nós. Antes de completarmos os 360 graus de envolvência, as tascas. Intitulo-as assim, mas não com sentido pejorativo. Beber um copo numa tasca, local castiço, rústico, é algo incomparável. O encontro de indivíduos desconhecidos que se abrem pelo álcool proporciona momentos de alívio a quem abre o coração, e de aprendizagem a quem ouve falar a experiência. Se na rotunda vivemos, nesta me fico. Porque dentro desta repetição aparentemente incessante, há pequenas diferenças que nos fazem voltar a andar à roda.



