O Hotel.
Confesso que não tenho muitas memórias vivas deste marco histórico da nossa cidade. Quase toda a minha vida o vi encarado como um "mamarracho", desígnio do que já fomos e difícilmente recuperaremos. A cada passagem pela Avenida da Liberdade sente-se a melancolia desta unidade hoteleira devoluta, que mesmo depois de décadas de abandono, mantém a sua fachada digna e orgulhosa do seu passado.
Quero acreditar que o seu interior se encontra despido de vida, mas iluminado das lembranças que o percorrem: estadias das mais altas figuras de estado em visita ao deserto alentejano, jantares refinados com os mais puros sabores alentejanos para ingleses e alemães degustarem até altas horas da madrugada, pernoitas, nas instalações "vintage" mas imaculadas no seu aprumo e limpeza, do caixeiro-viajante que fazia vida na estrada, banhos de sol e água resplandecente na sua piscina recatada, fazendo a delícia dos

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No dia que se apelidou do da Saudade, enjeito essa maneira de sentir em relação a este ícone da cidade, e sugiro que se aplique o sentimento de Pena.
E fica o louvor a quem, apesar das dificuldades, aposta no mundo da hotelaria e continua a mostrar a força da nossa hospitalidade e do saber bem receber.








