A Variante.

Passas ao lado. Estás tão perto, roçando os teus marcadores na erva que marca limites citadinos. Passas ao lado. Estás tão longe, que viras as costas a quem te albergou, semeando o êxodo e a desertificação. És como veia com golpe profundo, sangrando a terra, deixando sem vida um coração do interior, que não se resigna e não desiste de bater. Frágil, moribundo, mas ainda vivo.
Via rápida. Irrompes pelos campos por explorar, na vã esperança que o sucesso e o desenvolvimento sejam por ti conduzidos, como uma corrente sanguínea que clameja por progresso como quem precisa de ar para respirar. Por entre o céu azul que a todos pertence e o negrume do teu alcatrão carcomido pelo calor intenso, marcas do tempo desfiguram-te, criando fissuras do peso da responsabilidade que te dão.
O verde que te circunda protege-te das falsas esperanças e promessas que nunca se concretizaram, pois esperança é isso mesmo: acreditar em algo, mesmo que nunca se concretize. Porque promessas são frases não cumpridas, e que defendemos até ao nosso fim.
Ao desviares as pessoas de nós, desvias o olhar sobre uma cidade que precisa que olhem para ela. Que olhem por ela. Que os olhos que veem à distância não são os mesmos que entram, visitam, consomem, que fazem da cidade um centro de vida que merece mais.
És a estrada que nos evita. És o percurso que nos levas e trazes. És o trajeto que nos mata e nos reanima.





