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Agora inacessível aos alunos, quem não se recorda deste recanto do nosso Ciclo? Certamente cada uma de vós terá a sua experiência mais ou menos positiva deste lugar nas costas da instituição escolar e de frente para a nossa serra...
O lugar junto à piscina, pouso de grupos de fumadores precoces, que entre dois ataques convulsos de tosse, sentiam pertencer a um grupo, numa idade em que o pertencer a algo é a mais importante forma de socialização existente.
Havia também os inveterados da música pesada, numa altura em que o conhecimento musical era mais concentrado nas mesmas bandas, em que os primeiros atos de rebeldia capilar, na formação daquelas que seriam as grandes marufas do "heavy metal" portalegrense se começavam a desenhar e desgrenhar.
Havia ainda os jogadores do apanha, que faziam de todos os intervalos um contínuo jogo de corrida e pegada de colegas com quem se tinha mais ou menos afinidade, ou até aquele carinho por aquele rapaz ou rapariga, pelo/a qual se sentia algo, mas não se conseguia explicar o quê; aquele misto de "acho que te quer tocar e agarrar" e " tu és do outro género, que faço eu atrás de ti?". Ah, a doce melancolia da confusão pré-adolescente embrenhada num corre corre de dez minutos de cada vez...
E depois havia alguns como eu. Que gostavam daquela calmaria desgovernada. Que ansiavam pela vista apaziguante da serra, dentro daquele aquário sem água, onde o som de vida a latejar parecia chegar com menos intensidade, mas sem nunca nos deixar esquecer que, ao subirmos as escadas da piscina, lá estava toda a vida que só uma escola cheia de almas que exprimem vida sabem transmitir.