Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Natal.


Este natal quero que seja diferente, como todos os demais.
Sem grandes confusões, cheio de momentos e pessoas especiais.
Com a azáfama em família, com aqueles que nos querem bem
E sempre com mesa farta, que alimentaria pelo menos cem!

Que não faltem as prendinhas, as gargalhadas e o copo cheio
Com conversas bem acesas e muitas brincadeiras pelo meio
Que seja farto em afetos, em carinhos e emoções
Pois é isso que mais queremos, encher os nossos corações.

E que tu estejas connosco, com o teu sorriso que contagia
E que do céu nos visites, neste dia de alegria.
Tens o lugar no sofá e o prato na mesa, vem cá ter!
Feliz natal, Vó Carlota , dos netos que nunca te vão esquecer.

 

IMG_20181224_193121.jpg

 



O lado de lá do Ciclo.

IMG_20181214_130608.jpg

 

Agora inacessível aos alunos, quem não se recorda deste recanto do nosso Ciclo? Certamente cada uma de vós terá a sua experiência mais ou menos positiva deste lugar nas costas da instituição escolar e de frente para a nossa serra...

O lugar junto à piscina, pouso de grupos de fumadores precoces, que entre dois ataques convulsos de tosse, sentiam pertencer a um grupo, numa idade em que o pertencer a algo é a mais importante forma de socialização existente.

Havia também os inveterados da música pesada, numa altura em que o conhecimento musical era mais concentrado nas mesmas bandas, em que os primeiros atos de rebeldia capilar, na formação daquelas que seriam as grandes marufas do "heavy metal" portalegrense se começavam a desenhar e desgrenhar.

Havia ainda os jogadores do apanha, que faziam de todos os intervalos um contínuo jogo de corrida e pegada de colegas com quem se tinha mais ou menos afinidade, ou até aquele carinho por aquele rapaz ou rapariga, pelo/a qual se sentia algo, mas não se conseguia explicar o quê; aquele misto de "acho que te quer tocar e agarrar" e " tu és do outro género, que faço eu atrás de ti?". Ah, a doce melancolia da confusão pré-adolescente embrenhada num corre corre de dez minutos de cada vez...

E depois havia alguns como eu. Que gostavam daquela calmaria desgovernada. Que ansiavam pela vista apaziguante da serra, dentro daquele aquário sem água, onde o som de vida a latejar parecia chegar com menos intensidade, mas sem nunca nos deixar esquecer que, ao subirmos as escadas da piscina, lá estava toda a vida que só uma escola cheia de almas que exprimem vida sabem transmitir.

Outono na Portagem.

Na Portagem chegou o outono. Árvores carpideiras de folhas secas de sol e vento soprados do topo do castelo, choram o verão que já se foi, onde relembram, despidas, os dias fogosos de calor humano a banhos.
No musgo verde vivo que cobre a velha ponte romana, que oculta séculos de passagens, no cimo de fraturas de quem suporta o calcorreio incessante das voltas dos fins de semana, do “hermano” barulhento e franco que fala todas as palavras do seu léxico em cada tirada, ou do portalegrense que desenferruja o seu carro, companheiro de duas décadas, conduzindo devagar, como o tempo se esguia até ao anoitecer.
A tranquilidade da água. Espelho cristalino da alma, que reflete o que somos e que nos faz esquecer um pouco a interioridade que nos castiga, fazendo lembrar um qualquer "resort" à beira-mar de país tropical. Mas não é. É melhor. Mas está frio. O ruído da água que pula após salto animado da ponte é agora substituído pela quase ausência de som. O regato que corre sem parar, de água gélida e limpa tranquiliza o seu visitante.
A Portagem é isto e muito mais. É realmente uma terra de transição, de mudança, de investimento seguro nos seus recursos naturais, agradando a quem a visita e a quem a preserva.
Na Portagem chegou o outono, ansiando por mais um verão.
Mas eu gosto assim.IMG_20181201_165639.jpg