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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

O Pensador.

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Que pensas tu, Pensador? Para onde terá voado o teu pensamento? Vejo o teu corpo inerte e imovível, mas sei com certeza que não estás lá. Talvez estejas com os teus entes queridos, longe da tua vista, nunca do teu coração. Quem sabe está com a outra metade da tua vida, que sofre com as agruras do imperdoável Tempo, que nunca perdoa e avança em passo de marcha militarizada ininterrupta até ao fim anunciado.

Aqueces o teu corpo com o sol de primavera, que o inverno da tua vida vai já longo. Frágil me pareces, Pensador. Se calhar apenas contemplas a paisagem longa e austera de quem trabalhou a terra toda a vida para por no prato o que comer. Que a vida era mais dura, menos abonada, mas muito mais autêntica e sem superficialidades que hoje dominam a vida dos mais novos. Sem luz, com água da fonte e as modas tradicionais alentejanas a servirem de consolo para a alma nas noites de descanso, para de seguida levantar ao primeiro toque de alvorada.

Ou talvez estejas aqui apenas para eu te ver, Pensador. Para poder pensar contigo, cada um na sua complacência, cada um na análise das suas problemáticas que nos toldam os pensamentos, enquanto a Penha nos observa, prazerosa, do alto do seu verde esperança, inspirando-nos a acreditar que a vida será melhor, enquanto por cá andarmos.

 

 

Os “Santos” desta casa fazem milagres...

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Se estavam à espera de ver um prato cheio, farto... Aqui não. Cheio de cores, filtros, artificialidades, pronto para meter no forno das redes sociais para que se submeta à futilidade culinária que as mesmas nos apresentam.... Não. Podem sempre argumentar, e com toda a justiça: mas se não é para ver um prato de comida atraente, bem servido e bem regado, para que é que estamos a ler isto?

Bom, passo a explicar. A minha intenção de escrever sobre esta família que representa a mui nobre arte de receber com gosto paira na minha mente há algum tempo. Mas culpo os meus sentidos. Dominam-me quando lá entro. O cheiro das entradas fartas que chegam quase imediatamente depois de nos sentarmos; o saborear da melhor imperial da cidade, fresca e bem tirada; o olho que é assaltado com estímulos nas paredes com história alentejana; o ambiente calmo e descontraído que contrasta com a azáfama e ruído de outros restaurantes...

 A Cervejaria Santos tem esse efeito sobre mim.

Começando pela constituição deste “dream team”, a figura paternal representa a excelência do que é trabalhar com qualidade na restauração portalegrense há décadas. Qualidade dessa não se compra, adquire-se apenas com longos anos de trabalho árduo numa das áreas que ainda prolifera em Portalegre; na sala, temos a simpatia e bem servir do Nuno, irmão mais velho, sempre atento e eficiente em proporcionar a melhor experiência possível neste restaurante de luxo humano; na cozinha, Bruno, o cozinheiro por trás das maravilhas que são servidas, num estilo de fusão entre o passado que o liga à sua terra, mas sempre com o olho no futuro, apresentando com regularidade algumas inovaçóes na carta; e o nosso amigo Chalita, trabalhador incansável e de um coração enorme, figura ímpar da nossa cidade.

Espero então que me perdoem o facto da foto, e outras que tenho, sejam sempre de prato vazio. Porque quando me lembro de a tirar, já a alma e a barriga estão cheias e a regozijarem-se. Bem hajam, amigos! A ver se consigo tirar a foto de prato cheio... Mas não prometo!