Filhos régios.
Filhos régios.
Por volta dos anos noventa, o triunvirato Liceu/Escola Industrial/Colégio foi interrompido por uma nova escola que pretendia servir as populações dos bairros-dormitório que circundam a cidade, Assentos e Atalaião, mas que também respondesse à necessidade cada vez mais premente de acolher os alunos das freguesias rurais.
Com tal amálgama de crianças a fervilhar de hormonas e excitação, houve desde cedo uma catalogação de ser uma escola difícil, com alunos difíceis e para alunos difíceis. Lá passei o meu nono ano, mas muitos dos meus amigos lá fizeram todo o seu percurso de segundo e terceiros ciclos.
E a opinião é geral: todos os que rezavam terços de ruindade, que vaticinavam falhas estruturantes na formação de uma futura geração, nunca poderiam estar acertados em relação ao que proferiam de forma desinformada. É preciso ser régio para saber com exatidão o que se passava neste “castelo” formador de crianças de origens diversas em cidadãos de um mundo que se viu forçado a integrá-los, capaz de moldar carácteres desafiantes em almas capazes de transmitir conhecimento e carinho.
Os anos passaram e o estigma é agora tão pequeno como se de uma pequena chama prestes a morrer no fim duma noite fria se tratasse; o Agrupamento de Escolas José Régio é agora fomentador de saber respeitado, ponte de interações e parcerias com instituições de vários quadrantes e inovador na criação e desenvolvimento de projetos que pretendem fazer duma escola muito mais do que aquilo que se lhe exige, assumindo isso com orgulho e uma perseverança que envergonharia os “velhos do Rossio”, vaticinadores de uma realidade que por lá não existe.
Assumo-me como filho régio. E sei que todos por lá andaram a sentem assim. E aos que não conhecem aquela família, como dizia José Régio, “Lá vão essas vidas ocas/
A fingir que são verdade”.



