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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

O Ser.

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Antecipam-se umas eleições autárquicas animadas, com a tão almejada discussão política salutar e cheia de ideias e projetos para que Portalegre possa sair do marasmo onde está há décadas. Talvez não seja tão uniforme assim, dirão alguns, mas estamos cada vez mais longe daquilo que se pensa e exige de uma capital de distrito. O simples exercício de compararmos a nossa amada cidade (e como eu a amo) com outra qualquer capital de distrito do país é bem definidor do que somos neste momento e deveríamos ser. Redutor e simplista, bem verdade. Mas antes assim do que demagogo e populista.

Os candidatos aparecem desta vez de todas as cores políticas e apolíticas, como se desejassem mesmo Portalegre, sejam por que motivos seja, ulteriores ou não. Este é um primeiro bom sinal. Há vida democrática a decorrer nas veias-ruas da nossa cidade, e não há como negar a importância de tal facto. Portalegre é querida, há juventude envolvida e cruzam-se argumentos, planos, mentorias, investimentos. Portalegre sente-se acarinhada, como se se tratasse daquele primeiro encontro em que tudo flui, mesmo depois de ter sido durante décadas menosprezada, esquecida e obliterada por um interior de oiro que só conhece quem cá vem.

Ditar-se-ão ventos de mudança? Será ainda a continuidade um sinal de confiança dado por quem cruza no papel? As urnas dirão.

Onde traçarei linhas ainda não sei. Mas sei o que procuro. E espero encontrar. Tal como o ser humano, o ser candidato é cheio de imperfeições. E assim o queremos. Ainda assim, procuro no mesmo algumas características intrínsecas que possa vislumbrar. Como se houvesses seres diferenciados neste ser que se pretende diferenciador. A saber: quero um ser falante. Que se comprometa a ser claro, que dissipe as nuvens da opacidade de discurso que a bela língua portuguesa permite, que seja um poeta bem falante, mas que não poetize as dificuldades das pessoas, o que têm sofrido e que saiba compreender para ajudar.

Quero também um ser pensante. Este ser vem propositadamente depois do ser falante, pois bem sabemos que por aí os há sem esta duas facetas. Há quem fale e não pense. Há os mudos pensantes. Eu quero alguém que tenha estas duas características como pêndulos duma balança de justiça e ação. Que goste do que diz e que goste do que os outros dizem, porque centrar poderes falantes numa só pessoa não faz parte dum modelo de política democrático. Que se rodeie de quem fale e de quem faça. Com preponderância para os segundos.

Desejo também que seja um ser obreiro. Que se empenhe, que evolua e faça evoluir. Que a cada curto período de tempo nos conquiste com obra feita, essencial para melhorar a vida dos portalegrenses. Não que concentre meia dúzia de eventos mal amanhados nos últimos seis meses de mandato. O ser obreiro é aquele que definirá o legado de cada um dos presidentes e das suas equipas, pois o tempo é padrasto e apaga os rostos das pessoas, mas não a alma do que cá deixaram. Essa é a memória que se quer ter dum líder. O que deixa para os outros, sem estarem expostos em feiras de vaidades.

Por fim, quero um ser presente. Que esteja, que reconheça e se faça reconhecer. Que não se feche no poleiro municipal e de lá delegue, pense e execute. Para confiar é preciso ver, lidar, conversar, mesmo que nem todas as discussões sejam positivas. Há que ouvir o que as ruas pulsam, pois parece-me haver a tendência de tranformar os gritos que clamam por ajuda e mudança por surdina seletiva.

Fica ainda o apelo aos jovens, para que se envolvem no mais belo direito que sermos livres nos atribui, para que muitos lutaram: o voto. É muito fácil dizer que os políticos são todos iguais. Não deveria ser tão fácil assumir esse descartar de responsabilidade. Esta cidade vai ser vossa. Decidam o que querem fazer dela.