O Atanásio.

Há pessoas que parecem não ser deste mundo. Gente que parece não se reger pelas fatídicas regras da humanidade, em que uma pessoa vive para morrer. Estória de um fim anunciado, que alguns se atrevem a negar, por mais diabruras que o caminho lhes faça atravessar. O fim é para eles um novo princípio, uma oportunidade de se reinventarem, de negarem destinos e de ajudarem os outros a levantarem a cabeça e forçando-os a olharem para eles próprios.
Se alguém no suposto fim da melodia vital se rejeita a deixar que a música pare de tocar, quem são todos os outros para pararem de fazer o coro?
É desta forma que eu vejo o Atanásio. Um ser de outro mundo. Conheci-o na bola, no nosso Desportivo, como não poderia deixar de ser. Esta obsessão de formar pequenos homens e mulheres pondo a bola e os valores no centro do “trabalho” foi algo que logo vi que lhe era natural. Para além do desporto-rei, o mister Atanásio sempre mostrou mais a vertente humana que o caracteriza: resmungão e duro quando tinha que o ser, um puto nas peladas em momentos de descontração. Sempre lhe interessou mais expandir a tática da vida nos seus atletas e usar aquele momento em que a bola está no centro para por no mesmo sítio meninos carenciados de amor e carinho.
A sua saúde foi-se debilitando, retirou-se condignamente dos seus afazeres e concentrou-se em si, em melhorar, em recusar cair definitivamente. Cair, sim, todos caímos. Mas só os predestinados, os diferentes, os seres de outro mundo que não o nosso se voltam a erguer e se unem aos seus para que a doença seja parte de um processo de cura com o mundo.
Focou-se nos pensamentos positivos, na determinação e na vontade insuperável de derrotar o bicho do milénio, o cancro. E para isso ser mais fácil de acreditar, baseou esta operação que muitos apelidariam de impossível num outro ser alienígena: Lance Armstrong e a sua instituição LiveStrong.
O Atanásio distribui as pulseiras amarelas porque penso que ele acredita que a cada um que as entrega se pode transformar num ser incrível, cheio de força para mitigar as doenças, não deixar que o espírito quebre e relembrar que ninguém está sozinho neste mundo. Que todos precisamos de todos e que a força de tantos seres especiais em potência é mais forte que qualquer bicho.
Agora quando passarem pelo Atanásio, deem-lhe um abraço apertado. Não é todos os dias que se tem nos braços um super herói.