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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

O Fáfá.

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O Flávio sempre foi orientado. Mas teve que se orientar. Perder a mãe bem cedo, em que o carinho dessa trave-mestra é essencial para definir percursos, seria fácil perder-se um futuro bom amigo. Na Fonte dos Fornos era comum ver-se o rapaz franzino de bicicleta, parando em todas as portas de trinco aberto, onde a insegurança era apenas uma palavra que se via nos filmes americanos que sempre adorou. Parando no vizinho Casinhas, bebericando um bagaço ou um abafado, que a curiosidade de experimentar sempre imperou. Seguia depois para aquela vizinha que dava aquela moeda que oferecia uma ou outra moeda que iria certamente ser gasta na luz e som contagiantes do “Convívio”.

A cidade era noutro continente naquela altura. E para ver e ser visto, havia que enfrentar a longa subida da Azinhaga das Caronas. E o nosso Fáfá chegava a fazê-la três vezes por dia: de manhã para a pelada no Atalaião, bairro que sempre guardou no coração e onde inevitavelmente se fixaria; mais tarde, de chinelo no pé, toalha no ombro e Marlboro 100% na boca lá ia para a piscina arrefecer o corpo de verão tórrido; e quando o sol se punha, subia-se uma última vez até à Akademia, bebericando shots e saboreando a vida imberbe no meio das luzes e sons da noite.

O Flávio sempre adorou o seu Sporting. Ao ponto de se imaginar em que se via a representar o seu clube de coração, em pleno Alvalade de verde e branco equipado. De tanto brilhar, o interesse de clubes de renome mundial seria inevitáveis, mas talvez, com sorte, a Juventus o conseguisse levar de casa...

O menino fez-se homem e Lisboa tornou-se o destino. A vida obriga a sair do conforto de quem nos viu crescer, mas ao contrário de muitos outros, que se desapegam duma cidade que parece não gostar dela mesma, o Flávio encheu-se de coragem e voltou, apesar de muitos lhe dizerem que o sucesso não acontece na cidade das serras. Abnegado e sonhador, criou o seu negócio com o carinho de quem cria um filho. Passo a passo, mantendo os pés na terra e acreditando mais do que nunca que o sucesso está na ligação que se cria com as pessoas, e que apostar naquilo que se faz bem pode trazer felicidade mais tarde, mas ela vai chegar.

Corajoso, pois esta terra não dá nada a ninguém. Trabalhador, incessante na sua vontade de bem servir com um sorriso no rosto. Confiante, porque acredita tanto nas suas capacidades que nem sequer equaciona falhar. Franco, pois a honestidade será sempre a melhor política e as pessoas preferem sempre a verdade acre a uma mentira doce.

E agora? O que se segue para o rapaz Oliveira? Segue-se a vossa visita a ambos os seus estabelecimentos. Porque quem procura tanto amar a sua terra nunca merecerá falhar. E mesmo que falhe, vai reerguer-se sempre. Os fãs do Rocky Balboa são assim!