O Carlinhos.

De puto obstinado de calça Fubu a meio das pernas a militar com galões de farpela cintada, falo da mesma pessoa. O Carlos, o Esteba, Xanana, Destroyer, chamem-lhe como quiserem que ele atende com o mesmo sorriso no rosto e um abraço apertado. Só quem tem muitos anexins tem muita estória para contar, imensas tropelias para recordar.
Muito mudou na vida deste grande amigo de muita gente, menos o seu sentido de justiça, que sempre foi ímpar e inalterável. E após uns anos sem rumo, pois a vida não espera por ninguém, descobre num golpe de sorte a sua vocação profissional que tanto se coaduna com o bem que tem dentro dele. Servir o bem, servir os outros.
Do Carlos nunca ouvi um não. Pensem se já alguma vez eles vos disse que não a um pedido corriqueiro, a um pedido de ajuda seja de que tipo for, deixando até que isso o prejudique variadas vezes. É o que dá ter um coração do tamanho do mundo que o adora. E talvez por dar tanto e a tantos, o seu coração humilde lhe tenha tentado pregar uma partida.”Pazolo, acho que isto é sério, mas não digas a ninguém”, retratando quase em direto o que lhe estava a acontecer, mas o foco continuava a ser o mesmo: não preocupar ninguém, não ser um fardo. Para mim, isto é a definição máxima do que um ser humano estupidamente cheio de amor pode ser.
Mudou alguns hábitos, deu mais tempo ao seu futebol que sempre adorou, sendo parte fulcral da coletividade que representa, e ainda conseguiu arranjar tempo para se embrenhar num novo desporto de “frigideira” na mão, o Carlos é ainda um comunicador nato que desarma com a sua simpatia e poder de argumentação, um gajo divertido como poucos. Pensem lá numa qualquer peripécia que envolva o Xanana. Sim, essa mesmo. Sorriram ao lembrar-se? Ótimo, então sabem como me sinto quando tenho a honra de passar tempo com ele.
É um amigão de muita gente, e de mim amigão é. Passamos menos tempo juntos agora, mas quando nos vemos é como se ainda ontem à noite estivéssemos a sair de um sítio qualquer com um sorriso nos lábios e algumas parvoeiras para recordar. E outras não.
Gosto muito do Carlos. Quando o virem, deem-lhe um abraço e digam-lhe que nunca tinham reparado que ele tinha um nariz tão grande.