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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

O Bonacho.

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Nasceu filho de agosto, o primeiro de três irmãos. Desde novo sempre se mostrou desafiador, como se tivesse algo a provar a um mundo que depressa lhe mostrou que tinha de mostrar trabalho para nele estar em paz. A escola não era bem para ele, tudo era demasiado parado e teórico para alguém que queria fazer, experimentar, construir. Pirata na escola, mas bem educado. Lançava a confusão na escola, mas sempre respeitou os seus professores.

E se a escola não se apresentava um cenário formador, o trabalho trouxe-lhe desde cedo ensinamentos que guarda para a vida. Aos vinte e dois anos, numa realidade diferente da de hoje, onde a intuição e o desenrascanço foram substituídos por máquinas que nos indicam o caminho como se fôssemos robôs, iniciou-se na condução de camiões pelo nosso país irmão e vizinho. As lágrimas caíam-lhe pela cara a cada viagem principalmente naquela primeira que nunca esqueceu, onde deixou para trás tudo e todos aqueles que conheceu, para ser ele e mais ninguém nas longas estradas da vida. Ele é um durão que a vida enrijeceu, mas também se emociona. Não tem pena de si, mas sofre pelos outros.

Da vida dura sempre tirou ensinamentos, fosse nas obras onde trabalhou, nos camiões, na Rodoviária e finalmente na Câmara Municipal, de onde muitos de nós o conhecemos. Talvez seja isso que o tornou, nas opiniões de quem avalia o caráter de uma pessoa pela cara que apresenta no trabalho, um carrancudo incurável. E não se importa minimamente com isso. Sabe que pode contar com quem o conhece bem, sejam mais ou menos. Fazer fretes não é com ele e podem esperar honestidade, doa a quem doer.

De três irmãos – três filhos. O Bruno, a Margarida e o Filipe. Sempre presente, amigo, mas duro quando tem de ser, transmite os valores que lhe foram passados, acrescentando a experiência duma vida bem vivida, mas com sacrifícios. Os filhos têm muito orgulho nele.

Amigo dos amigos, gosta de uma ou vinte cervejas, sempre partilhada com um bom petisco ou uma volta de mota para desanuviar do que lhe faz menos bem.

Orgulha-se de ser o pilar da sua companheira. Nenhuma relação é fácil para que quem se atreve a sonhar tão alto como ela, e o Bonacho não deixa que alguma vez a Ana caia desamparada; ele estará lá sempre como esteve até agora: na licenciatura, nas viagens, sempre que é preciso! Mudou muito para poder ser a pessoa que ela precisava e sabe que com isso acabou por se tornar mais forte e mais compreensivo.

O Bonacho é assim porque a vida fez com que ele assim fosse, fruto da vida dura que viveu, dos amigos que escolheu e que foram aparecendo ao longo da sua autoestrada da vida, onde faz questão de fazer um quilómetro de cada vez, sendo o melhor que alguma vez pensara ser, mas sem almejar a ser perfeito. Isso ele deixa para os reis e rainhas dos teclados nos Desabafos de Portalegre.

Digam-lhe bom dia e sorriam. Talvez conheçam um Bonacho diferente.