A ovelha negra.

É uma ovelha especial. Sempre o foi. Em pequena recusava-se a partilhar tetas com os irmãos e irmãs, encomendando paletes do mais delicioso leite açoreano para suprimir as suas necessidades nutricionais. Sempre irreverente, mandou tingir de negro carvão a sua indumentária, em plena adolescência, fase gótica inspirada pelos filmes de vampiros. E agora, já com idade para assentar, continua a ser a tia louca que foge de convenções e regras, que se faz acompanhar apenas de si própria porque não encontra melhor companhia. Não há mal em ser diferente. Inventa, envergonha-te, pergunta sem pudor, ri bem alto. Demarca-te de todas as outras ovelhas deste mundo. Que seca ser igual a toda a gente.