As botas.

Aqui vos deixo, amigas. Na serra, mais juntas do céu, do sol. Acompanharam-me na subida aos maiores picos de alegria e tristeza da minha vida. Confortaram-me as plantas para me deixarem crescer. Os vossos cordões apertaram-me em momentos em que parecia que ia cair a pique. As suas solas, robustas e gastas, lembram um avô que ensina a andar de cabeça erguida, severo mas carinhoso. Hoje descalço-vos pela última vez. Que outro alguém vos aprecie como eu fiz. Que vos lace e saia por aí, sendo feliz como eu o fui. (As botas não são minhas, já lá estavam!!!)