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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Contra-bicho.

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Não é novidade nenhuma. O bicho chegou em força, o vírus torna-nos todos sintomáticos da tristeza, aquela sensação quase febril de impotência para o contrariar e deixa todos sem cheiro ou sabor, pois não os podemos partilhar com os nossos. E bem sabemos que as coisas não sabem nem cheiram ao mesmo sem a companhia deles.

Tossimos mais, e por vezes cospem-se verborreias num mundo com menos paciência e com mais confronto.

O bicho levou muito mais do que a nossa capacidade de respirar. Levou também a congregação do amor espalhado sem receios, o calor do toque e do afeto que sempre irradiou positividade.

 O vírus espalha mais do que a doença. Semeia também a pequena semente da desconfiança de tudo e de todos. Onde outrora se via um vizinho, vê-se agora um rosto fechado escondido entre material cirúrgico. Onde se vislumbrava um amigo, vê-se o receio como única expressão dos olhos, janela agora fechada para as almas de uns e de outros.

Mas há esperança. E essa vem de onde sempre virá um futuro mais sorridente. Nas escolas, apesar do medo, luta-se o bicho com o contra-bicho.

E o que é o contra-bicho? O contra-bicho recebe a sua nomenclatura duma criança que se recusa a deixar-se assustar pelo bicho, mas que sabe que tem de ter cuidado com ele.

É aquele cuidado que vem de casa, pois pais corajosos são pais informados.

 É aquele recadinho dado todo o dia, todos os dias na escola, que não deixa quebrar as barreiras da convivência social, pois professores e auxiliares atentos são aquela linha de defesa que jamais se rompem, mesmo pondo em risco a sua própria saúde.

Não há heróis individualizados, mas há sim um esforço enorme conjunto para que este ser pluricelular de vida que é uma escola seja apenas um ponto de contágio de risadas, carinho, amor e informação.

O contra-bicho das crianças não descrimina, não julga. Apenas ama, apoia. Espalhem o seu contra-bicho. Como me dizia uma criança no outro dia:”O Covid não me deixa brincar como antes. Mas eu vou brincar na mesma!”.