O Hélder.

Criança bondosa em corpo de adulto responsável, o Hélder é um ser de preocupação constante. Como durante muitos anos da sua vida que já alcançou mais de meia centena de voltas ao sol teve poucos que se preocupassem consigo, ele devolveu essa injustiça ao mundo ao transformar-se num ser que protege os seus.
O Hélder Barroca é talvez dos seres mais incompreendidos desta cidade. É amigo dos seus amigos, pois quem o tiver no coração, do dele não sai mais. E preparem-se para que faça o tudo que não almeja por vós. Falo de incompreensão porque apesar da sua devoção a Deus, poderia ser alguém que nada deveria à fé. Que teria todo a revoltar-se, a barafustar, a clamar às entidades divinas por justiça terrena que não lhe foi dada. Talvez seja isso que confunde as pessoas. Deus é parte dele e respeita o catolicismo, fazendo-se representar em todas as cerimónias religiosas da cidade, sempre de fato e gravata, porque a importância destes eventos para ele não poderiam exigir menos do que excelência no vestir.
O Hélder tem amigos proeminentes na sociedade. Gente que se desloca de outras cidades, de cargos valorosos, de distâncias grandes, para se poder sentar com ele e partilhar uma refeição com a sua candura, honestidade e vontade de comer, pois é um bom garfo. Quando a vida se complica, não há que se armar em esquisito.
O Hélder é também um homem do mundo. Já visitou inúmeros países como Israel e Itália, e já tem os próximos passeios orientados, preparando-se para desarmar mais gente por esse mundo fora, pois o carinho do seu sorriso aberto não para em qualquer fronteira, nem há língua em que não se traduza.
Ele é ainda um portalegrense de coração, participando e até engalanando toda e qualquer atividade cultural, gastronómica ou até comemorativa. É parte ativa de uma cidade que o acolheu e da qual não desiste, ao contrário daqueles que só desdenham e não querem comprar.
Tem no pessoal da Tégua a sua âncora, porque quando os seus demónios (quem não os tem?) o desnorteiam, sabe que olhando para eles, confortando-se no seu abraço e palavras de amizade pura, a tempestade passará e o sol vai brilhar mais uma vez.
É comum agora vê-lo desempenhando o seu trabalho com orgulho, sozinho no Jardim do Tarro, entre dois dedos de conversa e centenas de folhas por apanhar. É por aqui incompreendido por alguns, mas sabe com quem contar e é isso que o tornam forte perante fraca gente de espírito.
Na próxima vez que o virem, deem-lhe um olá. O sorriso vai abrir-se, vai desarmar-vos. E ofereçam-lhe um chocolate. É a sua perdição. Quem é doce, doce ama.