Piódão.

O frio faz-se sentir desde cedo, pois por trás da encosta a neblina gelada humedece e enregela o xisto das paredes. Sente-se uma paz incomodativa: depois da entrada na aldeia, depois do restaurante, do café e das barraquinhas de recordações, entramos num silêncio que se falasse pediria ajuda. A beleza do local, construído por mão humana, contrasta com o pouco calor que irradia das pessoas. Parece que o frio atmosférico foi inalado por cada um dos habitantes. Até os animais se mostram amorfos, almas penadas condenadas a vaguear a vaguear pelo xisto eternamente. Viver aqui, detrás dos calhaus, torna quem aqui vive em montes de pedras escuras que esperam pelo progresso que nunca chega e que temem o fogo que os ia destruindo.