Salto no azul.

Na Piscina Municipal nasceram amores de verão sem fim, arrefecidos por "bombas" disparadas da terceira prancha, com corpos projetados vindos do que parecia ser o céu. O chão vermelho e poroso tornava os movimentos rápidos, com receio de que a planta do pé se tornasse lava, obrigando à dor para entrar e sair da água fresca; uma espécie de prazer depois de sofrer e vice-versa. No fundo dos quatro metros e meio, celebramos o fundo do mar como nos documentários de Jacques Cousteau no Canal 2. Tornavamo-nos tubarões como em "Jaws", trauteando o som icónico da película de Spielberg, mordiscando uns dedos dos pés das incautas "vítimas". E trinta anos depois destas memórias, a estóica torre mantém-se imponente, descansando mais um inverno, esperando que o sol volte e aqueça, para servir e divertir mais uma geração de Portalegrenses.