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Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Há Em Nós Qualquer Coisa

Vidas de 400 palavras.

Super Heróis.

 

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Ao longo da vida, muitas pessoas se cruzam connosco na estrada da vida, seja ela uma via municipal cheia de obstáculos e barreiras que não os deixam crescer mais rápido, para os mais novos, ou auto estradas sem limite de velocidade, onde quase não temos tempo para olhar para o lado e desfrutar da vista, para aqueles que mal dão pelo tempo útil de vida a passar. Essas pessoas podem ser influentes, modelos de vida que queremos copiar, ou então aparições completamente descartáveis, das quais não guardamos nada, nem sequer a sua aparição momentânea.

O que me leva hoje a escrevinhar aqui é um grupo de pessoas que vive como que num limbo entre os eternamente recordados e os esquecidos sem mácula e sem perdão. São pessoas especiais para mim, que fizeram muito daquilo que sou hoje, para o bom e para o mau. Sejam boas ou más experiências, sejam odiados ou amados ou simplesmente obliterados das nossas memórias. Falo de super heróis.

Talvez tenhamos conceitos diferentes daquilo que consideramos o que são para nós estas pessoas neste contexto fantasioso de filme pipoca.

Os heróis para mim são seres humanos com qualidades especiais. Não vêm de outros planetas, mas quase parecem saídos de um outro local, desconhecido para todos, que resistem apesar de não os aceitarem como são, como muitas vezes acontece nas diferentes dimensões cinematográficas de centro comercial que nos são apresentadas, adaptam-se e evoluem, crescem com o local e com as condições que lhes são apresentadas e florescem a fazer aquilo que mais amam. Por vezes são mal interpretados pela sociedade, vilipendiados na sua honra por uma sociedade mesquinha, pelos “media” que desinformam e adulteram a verdade nua e crua e de uma administração política que lhes corta direitos, comportando-se sempre como o vilão que os quer abafar e calar. Mas sem sucesso.

Falo obviamente dos professores, os meus super heróis. Aqueles que sempre lutaram por mim, mesmo quando eu não os defendi, e que me construiram por dentro para eu ser alguém digno, educado e alerta de consciência.

Comparação tosca, dirão alguns? Aqui seguem exemplos de verdadeiros super heróis que passaram pelo meu percurso escolar e a enumeração dos verdadeiros poderes, aqueles que contam

A professora Judite, nome de guerra a Encantadora, que sossegava uma turma inquieta de petizes do bairro com a sua voz melodiosa, prendendo a sua atenção, impedindo distrações e - imagine-se! - formando conhecimento, ensinando coisas de escola e de vida, reproduzindo nos seus alunos valores do bem e de cidadania.

O Disciplinador, meu professor de Matemática do segundo ciclo, que com um único torcer de orelha, eliminava quaisquer rebeldias na arena de combate formativo que é a sala de aula; e que com um toque dos seus lábios na testa e uma piada fazia esquecer essa má memória dos inimigos do saber. Verdadeiro poder!

Medusa, de olhar penetrante, gelava a alma e transformava em pedra viva aquele que ousasse em errar o verbo “être” no Passé Composé, mas que no fim da aula abdicava do seu intervalo curto entre batalhas do poder, para apaziguar os espíritos daqueles que com dificuldade não desistiam do Francês.

Ou ainda o anti herói Ancião, que tinha prazer em nos enganar na disciplina de Psicologia de Educação, mal sabendo nós que o prazer de aprender e ensinar fluía como matéria incandescente no topo de um vulcão. Os meios malandros com que o fazia justificavam os fins: formar professores íntegros, mas matreiros, munindo-nos de armas que só a experiência poderia trazer, antecipando cenários, tal e qual Nostradamus.

Nem todos podem gostar dos meus super heróis. Os professores não procuram endeusamentos nem unanimidades. Querem apenas aquilo que todos os outros heróis querem: condições justas e dignas de trabalho. E já agora algum reconhecimento. Pelo que nos fizeram, e que mais tarde, nos fizeram fazer. Muito obrigado a todos, Professores.

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